A chuva que vem de baixo

Voltando de mais uma madrugada de bebedeiras na casa de amigos, chamei uma moto no aplicativo de transporte para voltar para casa. Ricardo chegou em uma belíssima moto preta de 250 cilindradas. Estatura mediana, tronco e ombros muito largos, braços e antebraços muito malhados, abdômen bastante dilatado e proeminente. Cabelos escuros com corte social recém feito e barba muito bem desenhada demarcando o maxilar. Bronzeado em dia. Olhos castanhos. Calça jeans, camiseta branca, sapato social, pochete de couro preto ao redor da cintura, cordão prateado com pingente de crucifixo e brincos com uma pedra branca e brilhante em cada orelha. Uma tatuagem tribal que delineava a musculatura do ombro e do braço esquerdo. Um perfume amadeirado levemente ativo emanava o sujeito, sugerindo um banho que havia sido tomado a não muito tempo. Uma deliciosa mistura do clássico arquétipo do latino cafageste sedutor misturado com o arquétipo do playboy marombeiro cearense. 

– Iago? A voz denunciava um fumante.

– Sim, sou eu.

Eu sinto um prazer filho da puta em andar de moto com o estado de consciência alterado. Claro que estar como garupeiro facilita, não teria coragem de fazer isso pilotando. Você pode estar se perguntando, espera aí, você anda de moto com um desconhecido estando muito doido? Sim, e eu adoro fazer isso. Às vezes bêbado, às vezes chapado e às vezes duas coisas. Eu me sinto muito confortável com a ideia de andar de moto com o juízo pegando fogo. Para completar, eu costumo ficar de fone de ouvido e ouvir música. É um deleite que sempre rende ótimas ideias e reflexões durante o percurso.

Montamos na moto. Ricardo se posicionou de uma forma tal que sua bunda parecia bastante empinada, o suficiente para me deixar sem jeito. Era uma bunda pequena, se comparada ao resto do corpo, mas notavelmente uma bundinha malhada e muito rígida. Na posição de garupeiro, meu pau naturalmente ficava muito próximo daquela bundinha suculenta. Impossível para mim não imaginar algo, especialmente estando com a consciência alterada, a imaginação trabalha com vontade e sem pudores.

Da casa de Tito para a minha casa, existe um caminho alternativo que passa por dentro de uma área bastante arborizada, sem nenhuma construção dos dois lados da pista, apenas área verde. Muito agradável durante o dia, mas bastante estranho durante a noite. Pouco iluminado e assustadoramente propício para uma emboscada. Ricardo resolveu seguir esse caminho sem perguntar nada.

Uma fina garoa umedecia tudo, a pista, a moto, o ar, o Ricardo e os meus pensamentos. Não demorou para que algumas gotículas se formassem por cima da pele exposta do meu piloto, adornando suas curvas como pedrarias incrustadas em um vestido de gala, evidenciando ainda mais a definição da musculatura dos ombros e dos braços. Pele molhada sempre foi algo que me excita muito, seja de chuva, de suor, ou dos dois. 

Era uma noite mais escura do que o normal, devido ao clima chuvoso, fazendo com que o trajeto ganhasse um tom misterioso e ligeiramente sinistro. De repente, um vulto corta nosso caminho seguindo de uma freada brusca e perigosíssima. Por muito pouco não nos esfarelamos no chão. O vulto em questão era um vira-lata caramelo que teria sido atropelado caso Ricardo não tivesse freado. A manobra brusca me empurrou direto contra as costas largas do meu piloto. O susto foi desesperador, mas meu tesão já estava tão no talo, que mesmo com a aflição do quase atropelamento do pobre cachorro, aquela breve encoxada me fez sonhar como uma princesa devoradora de machos com aquele homem.

Passado o susto e verificarmos que tanto nós quanto o cachorrinhos estavam bem. Recompomos os nossos papéis de piloto e garupeiro, mas algo havia mudado. Ao voltar, sua bunda estava claramente mais empinada e mais próxima do meu pau. Será que o evento sinistro de quase atropelamento em uma madrugada úmida teria colocado a carne no prato do carnívoro? Será que aquele touro latino queria ser domado ou quer me fazer sua vaquinha?

Já havíamos passado da metade do caminho, meu destino final se aproximava cada vez mais e minha vontade de sentir o sabor daquele homem largo como uma montanha era tamanha que fazia o meu juízo ferver. Quando já estávamos nos aproximando da minha rua, peguei meu celular e mandei uma mensagem pelo inbox do aplicativo de transporte: 

– Minha casa fica em frente a um terreno baldio. Mandei pelo aplicativo de propósito, poderia perfeitamente ter dito diretamente a ele, mas mandei pelo aplicativo com a esperança de abrir uma janela de comunicação sem algum possível constrangimento. Para minha surpresa e felicidade, a resposta veio de prontidão.

– No terreno baldio?

– Sim.

– Fazer o que?

– 👉👌

A última resposta com emojis fez o meu tesão explodir tal qual a erupção do vulcão Vesúvio sob a cidade de Pompéia. Logo logo não haveria mais humanidade, apenas um tesão quente e incandescente como lava, varrendo tudo que encontrasse pelo caminho. Aquele homem larguíssimo era um clássico machão e também era uma cadela no cio.

Existe um conceito dentro das ciências jurídicas chamado de “soma das vontades concordantes”. Sempre achei essa frase extremamente sexual. Não existe soma das vontades concordantes mais bela do que a soma da vontade de arregaçar na base da pirocada com a vontade de levar pirocada até ser arregaçado.  Assim que paramos em frente a minha casa e guardamos os capacetes com uma tranca, Ricardo segurou minha mão e me levou para dentro do matagal do terreno baldio. Ele deve ter percebido que sou uma fadinha da floresta e agora estava atrás dos meus encantos.

A umidade do ar era ainda maior no meio da vegetação que crescia desgovernada dentro do terreno. Encontramos um espaço minimamente “adequado” para um casal recém formado e com muito tesão. Ele me empurrou contra uma parede sem reboco e veio pra cima de mim com tudo. Qualquer pessoa que pegasse uma corrida de moto com aquele homem, não escaparia de perceber seu físico “troncudo”, mas dificilmente iria desconfiar que ele beija outros homens com a intensidade de um tubarão faminto.

Não era só um beijo. Era um estatuto inteiro sobre o desejo de amar livremente. Era um contrato assinado e lavrado para somar os tesões de cada um. Um tratado sobre as possibilidades da carne. Na verdade havia até um certo desespero naquele beijo, a intensidade do fogo da paixão se misturava com nervosismo. Ambos ensandecidos para se satisfazer, mas ainda descobrindo como. A única certeza era a temperatura vulcânica que brotava das respectivas genitálias. 

Nos beijamos até ter a certeza de que a única coisa possível em seguida era um sexo tão selvagem quanto a vegetação arredia que nos cercava. Quando as picas já estavam quase para se rachar de tanto roçar por cima da roupa naquele beijo contra a parede, ele me virou de costa, se ajoelhou e abaixou as minhas calças sem muita cerimônia. Sua boca grudou no meu cu como se fossem dois ímãs de pólos opostos.

Quem diria que esse touro latino mama cu tal qual um bezerrinho novo na teta da mamãe. Assim como no beijo, senti como se aquela língua estivesse formalizando um acordo entre as partes, no caso Ricardo e o meu cuzinho. Mamou com fome, mamou com sede, mamou sem medo de ser feliz. Mamou até que eu estivesse excitado o suficiente para sentir vontade de enfiar um taco de baseball no meu cu, foi então que ele se levantou já abrindo zíper da calça.

Existe uma velha sabedoria popular que diz que o tesão masculino é como um forno elétrico, de fácil acionamento, e o tesão feminino é como um fogão a lenha, e que para aquecer possui um tempo maior do que o forno elétrico. Essa metáfora acaba excluindo a individualidade do funcionamento dos corpos, mas também não é de se jogar fora. De fato existem pessoas que iniciam o processo de excitação de forma mais fácil do que outras, mas toda excitação possui uma gradação. Excitar-se ao ponto de dissociar o juízo, verter os sentidos até que voltam ao um estado primal e feral, esse nível de excitação possui os mais diversos, estranhos, peculiares e por vezes até perigosos caminhos. Alguém que não se disponha a explorar a própria sexualidade pode passar a vida inteira sem conhecer esse nível de excitação. Naquele momento, ainda meio bêbado e meio chapado, trepar no meio do mato a céu aberto com um motorista de aplicativo que eu conheci a menos de uma hora, era o suficiente pra fazer de mim um forno a lenha e elétrico ao mesmo tempo.

Quando já estava totalmente em pé, o pau já estava pra fora da calça. Apesar da pouca luminosidade, olhei imediatamente para analisar a estrutura. Era um pau pequeno. Espessura normal. Glande macia e lustrosa. De tamanho, a pequenez era notável, não era um pirrotinho, mas era de fato abaixo da média. Com belas veias protuberantes, a concretude de sua rigidez aliada a uma belíssima curvatura para cima fazia aquela chibata olhar para as estrelas, como um grande sonhador. A virilha isenta de pelos exibia uma pele de maciez tal que denunciava uma possível depilação a laser. Um marombeiro super bem cuidado e cheiroso. 

Não estávamos ali para conversar, nem tão pouco para deliberar nada. Mal pude observar o aparato sexual do meu piloto. O desgraçado abriu a pochete, tirou de lá uma camisinha e já foi me virando de costa, de modo que eu ficasse de frente para a parede pudesse usá-la como apoio. Que tipo de motorista de aplicativo anda com uma pochete com camisinha na cintura? Talvez um que ande de moto e seja notavelmente um grande gostoso. Talvez ele nem precisasse trabalhar como motorista de aplicativo. Talvez tivesse algum emprego formal e saísse de casa em busca de aventuras, usando o aplicativo de transporte como isca. Talvez isso explicasse o possível banho recente, mesmo a corrida sendo de madrugada. Talvez ele que fosse uma fadinha da floresta no fim das contas, e eu já estava completamente entregue aos seus encantos. Muitos talvezes, mas a vontade de uma grande fudelancia naquele momento era uma certeza certezíssima. 

Existe um equilíbrio muito delicado entre a dor de sentir o cu se abrindo e o prazer de sentir a pica entrando. É preciso muita sabedoria no trato com o cu, especialmente no início das atividades. Ele abriu as minhas bandas e empurrou a cabeça com uma sutileza de comedor de rabo muito experiente. Tão logo a cabeça entrou, ele já foi empurrando até o talo.

Ele laçou-me por trás com aqueles braços enormes, de modo que os meus braços ficaram também presos e pressionados contra o meu tronco, sem sequer me dar chance de usar a parede como apoio. Sua virilha empurrou meu rabo para cima, enquanto seus braços puxaram meu tronco para baixo com igual potência. Foi o mais fundo que podia, e foi bem fundo, mesmo sendo pequeno, graças a curvatura para cima e a força da enterrada. 

Ele iniciou o movimento retilíneo e uniforme, tirando só um pouquinho e já enterrando até o talo novamente, sem pressa.  Empurrando com força mesmo com a pica já estando toda enterrada, para cada atolada de pomba, eu ficava de ponta de pé, quase sendo erguido pelo cu por aquele rola que mesmo pequena, tinha a força de um semi Deus. Uma dinâmica de movimento característica de quando o indivíduo tá indo com vontade de partir o outro no meio com a rola. Sua boca mordia meu cangote enquanto a pelve cuidava da dinâmica do movimento. Já tinha dado pelo menos uns 5 minutinhos de cu quando o boy pergunta:

– Posso ir com força? Gelei na mesma hora. Se eu já estava quase sendo erguido por aquela pica, o que então aquele touro estava querendo dizer com “ir com força”?

Virilidade não é só exibição de força, mas é também exibição de força. Infelizmente, em um mundo tão hostil, a força enquanto prazer se misturou completamente com a força enquanto violência. É preciso acessar um estado de excitação quase bestial para aceitar esse pedido nesse contexto. Aliás, todo esse contexto obviamente não é para qualquer um, da o cu no meio dos matos para um estranho não é para qualquer um. É preciso enxergar beleza em uma subjetividade quase bestial, abrir mão da racionalidade, acessar um instinto primitivo e seguir o protocolo dos animais no cio. O que felizmente era o caso. Éramos dois animais no cio acasalando no meio dos matos.

– Pode. A resposta veio com alguns poucos segundos de reflexão.

Ele fez um movimento de retirada um pouco mais amplo, de modo que ficasse só a cabecinha dentro. Percebi que era um movimento de preparação para pegar impulso. Nada do que eu já fiz com o meu cuzinho até então havia me preparado para aquela lenhada. A pirocada foi como um míssil ultra sónico. Uma velocidade que Ricardo ainda não havia mostrado e uma força que de fato fazia jus ao tamanho dos braços e troncos.

Um soco direto na próstata, o cu quase pede arrego. Uma pirocada que tanto era covarde quanto generosa. Em outro contexto talvez não tivesse funcionado, as chances de tamanha lenhada dar errado são muito altas. Se fosse uma pomba realmente avantajada, daquelas que parecem uma mutação de tão grande e grossa, talvez eu teria ido parar no hospital. Talvez tivesse até morrido naquela noite. Talvez tivesse ficado com alguma sequela, mas ali, naquela noite, este milagre aconteceu. Uma rolada tão segura que furaria uma parede. Sem morte, sem sequelas ou prejuízos, apenas o mais puro, genuíno e intenso prazer.

Eu gosto de construir uma espécie de wikipédia da minha própria vida na minha cabeça, e existe todo um setor nessa wiki para a minha vida sexual. Eu lembro do maior e o menor pau que já peguei, o mais grosso e também o mais fino, o mais curvado, o que soltava o maior volume de porra e o que praticamnente não soltava, o que aguentava mais tempo fodendo e o que gozava em segundos, cada um deles com sua própria página nesse serviço imaginário de catalogação de memórias. Naquele momento essa wiki pessoal havia sido atualizada, pois havia chegado na minha vida a pirocada mais forte que eu já havia experimentado até então.

O couro estralou alto e nós gozamos imediatamente, de uma forma que ainda não conhecia. A ejaculação foi tão explosiva que senti a dor da uretra se dilatando repentinamente para dar vazão àquela demanda brutal. Uma pombada fatal que poderia ter arrebentado facilmente minhas pregas, mas Deus providenciou um milagre em forma de orgasmo. Tão especial que era praticamente um louvor a Deus, ou até mesmo a própria mensagem divina. Choveu porra de baixo para cima. Existem orgasmos que nos fazem ter visões, nesse eu vi estrelas subindo da terra para o céu.

Tentamos segurar o urro, mas foi impossível. Alguns poucos pássaros que perambulavam por ali voaram assustados e algumas janelas pela vizinhança acenderam suas luzes. Até a chuva parou. Como se a contração dos orgasmos tivesse contraído também o clima. Nos despedimos, entrei em casa, tomei banho e dormi um sono abençoado, após ter testemunhado o milagre da chuva que vem de baixo.

Nunca mais vi Ricardo.

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